Google, pode encontrar o que procuro, por favor?

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Como a usabilidade pode aumentar suas vendas

Atualmente fala-se muito em usabilidade, porém ela está presente em nosso dia-a-dia faz muito tempo. Não acredita? De que lado da rua de mão dupla você transita com seu carro? Você identifica com mais facilidade uma situação de emergência frente a uma sirene de cor vermelha? Ao chamar um elevador, qual botão você aperta quando quer subir? Uma das principais características do metrô da cidade do Porto, em Portugal, é a facilidade que usuários com deficiência encontram para se locomover entre as estações. Acesso facilitado, eliminação de barreiras físicas comuns em transportes públicos e até mesmo itinerários impressos na parede em braile. Na ótica de seus projetistas, um usuário portando sacolas de compras também é uma pessoa com mobilidade reduzida. Não é fantástico?

Um dos mais conhecidos analistas de usabilidade na atualidade, Jakob Nilsen, é cientista da computação, com Ph.D. em interação entre homem e máquina. Segundo ele, “a usabilidade é um atributo de qualidade que avalia quão fácil é usar uma interface”. Para Nielsen a usabilidade está intimamente relacionada a fatores como:

  • Facilidade de aprendizagem: O quanto o sistema é fácil de ser assimilado pelo usuário;
  • Eficiência do sistema: O quão rápido o usuário consegue utilizar o sistema e atingir seu objetivo.

O que poucos profissionais sabem é que o conceito de Nielsen pode (e deve) ser utilizado para melhorar suas vendas online. No mundo virtual, mais do que no real, o usuário deve ter o acesso facilitado ao produto que procura, resultando em aumento de chance de sucesso nas vendas.

Mas como é possível traduzir toda essa informação e aplicá-la no e-commerce? Uma maneira é seguir as boas práticas de navegação e usabilidade para sua loja, elevando ao máximo a experiência de compra de seu consumidor.

Quanto mais rápido o consumidor encontra o produto que deseja, maior a chance de que ele o adicione ao carrinho e finalize a compra. Ao contrário disso, quanto mais obstáculos ele enfrenta (dificuldade para encontrar o produto) maior é a chance de que a venda seja perdida. Utilizar um layout amigável, com campo de busca bem visível e com a categorização de seus produtos bem elaborada, são algumas práticas que podem diminuir drasticamente o bounce rate (taxa de rejeição) de sua loja, que acontece quando o usuário abandona uma página sem interagir com ela.

A categorização, por exemplo, é um capítulo à parte. Uma vez que foi bem feita, pode direcionar seu consumidor exatamente ao que procura. Vamos ver? Imagine uma loja virtual de roupas, em que os produtos foram corretamente distribuídos em departamentos como vestuário e acessórios, em categorias como camisas, calças e cintos, e em filtros como cor, marca e gênero. O consumidor que procura uma camisa se depara com uma gama enorme de produtos na página inicial, porém ao clicar no departamento desejado começa a navegar por um número bem menor de itens, uma vez que já “eliminou” calças e cintos. Nas próximas páginas ele pode escolher entre camisas masculinas ou femininas, qual marca e até mesmo a cor de sua preferência. Seguindo essa lógica de navegação, ele encontrará o produto desejado em poucos cliques. Claro que existem campanhas, hotsites e landing pages para que para o consumidor vá direto ao ponto, mas a categorização ainda é a base para o cadastro de produtos na loja virtual.

Por último, mas não menos importante, é preciso ressaltar que todo esse trabalho deve ter foco no usuário em si. Características como o perfil do público-alvo e a audiência que se pretende atingir devem ser levadas em conta, lembrando sempre que o “online“ muitas vezes atinge grupos heterogêneos e com diferentes necessidades.

Recentemente, uma senhora de 85 anos ganhou notoriedade na internet, quando seu neto postou nas redes sociais a maneira educada e peculiar com a qual ela realiza suas buscas no Google. Ao tentar traduzir números romanos, ela digitou no campo de busca “Por favor, traduza esses números romanos MCMXCVIII. Obrigada.” Ao ser questionada, disse crer que as buscas seriam realizadas de maneira mais rápida se fossem pedidas com educação.

O mundo virtual é assim, é preciso estar preparado para pessoas de todas as idades, sexo, crença… para aqueles que fazem questão de gastar um tempinho a mais com palavras corteses e também para aqueles que precisam encontrar o que procuram de maneira rápida e objetiva.

 

Artigo publicado originalmente na edição no. 39 da Revista E-Commerce Brasil, publicação voltada ao mercado de comércio eletrônico. Clique aqui, para ler mais artigos online da revista. 

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